Três sítios arqueológicos são alvos de pesquisa no Município de Iguaraçu, Paraná
11 de fevereiro de 2026
Nossa equipe de pesquisadores realizou com êxito o resgate de três sítios arqueológicos de alta
relevância no município de Iguaraçu, região norte do Paraná.
A intervenção foi executada como etapa fundamental para o Licenciamento Ambiental, visando
a preservação do patrimônio cultural diante da instalação do empreendimento local.
Durante o período de trabalho de campo, aplicou-se uma metodologia interventiva rigorosa, composta pela
abertura de diversas unidades de escavação (1x1m) e dezenas de sondagens exploratórias, atingindo
profundidades estratigráficas controladas. Essas ações viabilizaram a identificação, o resgate e a salvaguarda
de um complexo conjunto de materiais arqueológicos — líticos (ferramentas de pedra) que se encontravam
em contexto subsuperficial.
Contexto Científico e o Rio Pirapó
A região de Iguaraçu, inserida na bacia hidrográfica do Rio Pirapó, compõe um cenário crucial para o
entendimento das dinâmicas de povoamento pré-colonial. Ao contrário de uma ocupação isolada, os
três sítios resgatados inserem-se em um sistema de alta mobilidade de grupos humanos antigos.
Conforme apontam estudos sobre a arqueologia paranaense (Parellada, 2008; Chmyz, 1981), os
afluentes do Rio Paranapanema — como é o caso do Pirapó — funcionaram como verdadeiras "rodovias
fluviais". Estes cursos d'água permitiram a penetração e o assentamento tanto de grupos caçadores-coletores
(Tradição Umbu e Humaitá) quanto, posteriormente, a expansão demográfica dos horticultores-ceramistas da
Tradição Tupiguarani. As margens do Rio Pirapó ofereciam recursos hídricos perenes, matéria-prima
lítica (basalto e arenito silicificado) e zonas de mata propícias para a caça e agricultura incipiente, tornando
a área um ponto de convergência cultural milenar.
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